Parece que o anúncio de Bayonetta 2 como um título exclusivo para Wii U gerou revolta na internet.

As reclamações foram tamanhas, que chamaram a atenção da Platinum Games, cujo presidente Tatsuya Minami fez uma declaração oficial a respeito da exclusividade com a Nintendo:
“No dia 13 de setembro de 2012, Bayonetta 2 foi anunciado como um título exclusivo em desenvolvimento para o Wii U durante a apresentação da Nintendo realizada no mesmo dia.
Como criadores de jogos, estamos incrivelmente empolgados em ter a oportunidade de anunciar um novo título a todos os nossos fãs, entretanto, estamos cientes que tal anúncio pode ter chocado muitos de vocês.
Assim como Bayonetta, a continuação está em desenvolvimento e produção aqui na Platinum Games, e é a real continuação do aclamado primeiro jogo da série. Bayonetta é um de nossos títulos mais queridos, e teve grande papel no estabelecimento da Platinum Games como um estúdio emergente nas mentes dos jogadores mundo afora. Bayonetta tem fãs por todo o mundo, e nunca sonharíamos em aliená-los em participar do futuro da Platinum Games.
Sendo assim, o mercado de consoles caseiros está em estado de agitação, então, estabelecer uma nova franquia requer uma quantidade considerável de vontade, determinação e amor. Bayonetta é uma marca a qual desejamos fortalecer, chegando às mãos de mais e mais jogadores, então continuamos a consultar a SEGA, a distribuidora do primeiro jogo, em como poderíamos fazer isso. Nossa resposta foi uma nova parceria com a Nintendo.
Assim como seu novo hardware, a Nintendo, como empresa, é dedicada em estabelecer um novo futuro para a indústria de jogos, como pode ser observado pelo histórico de seu apoio apaixonado por games. Junto com a Nintendo, esperamos fazer com que a marca Bayonetta cresça mais em relação ao que é hoje, permitindo a mais jogadores ao redor do mundo experienciar a ação com nossa amada bruxa. Como criadores, estamos trabalhando duro para tornar isto uma realidade.
Esperamos que estejam animados com o que temos para mostrar.“
Uma Pequena Análise sobre a Exclusividade
Mesmo com o sucesso do primeiro Bayonetta (as vendas superaram 1 milhão de cópias), é necessário lembrar que a distribuidora era a SEGA, a qual passou por situação financeira preocupante em 2012, logo, a própria empresa teve de se reestruturar para continuar no negócio, focando mais nas franquias mais rentáveis (como Sonic) e abandonando as novas (projetos foram cancelados inclusive). Isto é, a SEGA não está em posição de investir em novas franquias (hoje um risco alto no mercado de jogos) e fora Bayonetta, poucos títulos novos feitos pela Platinum Games vingaram no mercado. Esse cenário implica que uma continuação de Bayonetta, mesmo que desejada, tinha poucas chances de acontecer.

Agora observem a parceria com a Nintendo. Essa parceria foi necessária, uma vez que a Big N quer (e precisa) voltar a ter espaço dos jogadores hardcore e a Platinum Games não tinha como viabilizar projetos novos através da SEGA. A Nintendo, com o Wii U, está investindo tanto no mercado de jogadores casuais, quanto os hardcores, basta analisar o line up de jogos a serem lançados junto com o console. Bayonetta 2 não aconteceria se essa parceria não se concretizasse. A Nintendo está numa posição melhor no mercado para arriscar e investir. Sua rentabilidade continua positiva, mesmo com o deslize causado pelo 3DS no último ano fiscal.
Quem a Platinum Games iria procurar? A Capcom, por exemplo, não é uma opção, uma vez que membros da empresa saíram de lá por diferenças artísticas (Hideki Kamiya, criador de Bayonetta, foi o responsável pela série Devil May Cry na Capcom, por exemplo), entre outras razões. Sony também não enfrenta uma boa situação no geral e outras softhouses estão passando por uma fase de adaptação e ajuste para o atual cenário da indústria.
O ponto negativo dessa exclusividade é a alienação de jogadores que gostam da série e não pretendem comprar o Wii U, seja por não gostarem da marca Nintendo, seja por não gostarem do que o Wii U oferece, seja lá o que for. Esse fator gerou a avalanche de fúria e reclamações vistas na Internet, um veículo poderoso de disseminação da informação (e da discórdia). A história se repete, pois quem não se lembra da época que a série Resident Evil se tornou exclusiva para o Game Cube? Todos já viram o resultado disso.
A questão é, os fãs não deveriam estar felizes que pelo menos haverá uma continuação e outras pessoas terão a oportunidade de experimentar o que eles vivenciaram no primeiro jogo? Que a Nintendo está se empenhando para voltar a ter força entre os jogadores mais exigentes? Que as empresas e seus funcionários precisam de dinheiro para continuar investindo e ver o que é melhor para si no mercado?
Tem horas que é melhor deixar o “fanboyismo” de lado, pois essa continuação dificilmente seria anunciada sem essa parceria. Agora se essa exclusividade será quebrada vai depender dos méritos do jogo quando for lançado e das vendas do Wii U.
Fonte: Destructoid